Se pudesse hoje saltava, por vários motivos não gosto de falar deles, não tive uma infância feliz, cheia de bons momentos para recordar, o meu pai foi-se embora quando eu tinha 8 anos e o meu irmão 2, e esse dia eu nunca mais vou esquecer, o meu irmão a chorar compulsivamente, eu a vê-lo ir rua fora, e a minha mãe tinha ido trabalhar, ficamos ali até chegar a D. Filomena a nossa ama, eu a tentar acalmar o bebe sozinha e ele nem se ralou, vou recordar isto para sempre. Depois ele voltou umas 2 vezes, mais valia não o ter feito, e acabou por ir, nas ausências não se preocupava minimamente connosco. A minha mãe tornou-se uma mulher amarga, infeliz, angustiada, não me lembro de ela me dar mimo, colo, nem ao meu irmão. Nunca passamos fome, nem nenhum tipo de necessidade, mas amor e carinho também é uma necessidade e dessa passei uma fome terrível, daquela fome que quase nos leva a desfalecer, valia-me a minha avó materna no verão, morreu quando eu tinha 14 anos. No entanto tudo o que sou hoje devo-o a ela, fez de mim uma mulher com M grande, sou forte, determinada, persistente, trabalhadora e adoro dar mimo aos meus filhos, sempre quis ser mãe cedo, para poder dar o mimo que não tive, as conversas que não tive, a compreensão que não tive. Hoje em dia ela precisa muito de mim, tem Alzheimer num estado já muito avançado, nem sempre me reconhece, por vezes acha que sou a mãe dela, mas fala sempre na Fatinha que sou eu, e hoje em dia é uma pessoa extremamente carinhosa, adora dar mimo, abraços. O meu pai reapareceu há 5 anos atrás, entretanto divorciou-se pela enésima vez e mudou-se para a minha rua, ele que sempre disse que nunca viveria no Algarve, hoje em dia é um avô fantástico, tenta fazer aos netos o que nunca fez aos filhos, eu fico-lhe grata por isso, é ele que leva os mais velhos á escola e aos treinos, e eles treinam de 2ª a 6ª e ao fim de semana têm escuteiros e jogos e é ele que muitas vezes os vai levar. Vai com o Gabriel andar de bicicleta e passear aqui na rua, ao parque.
Não queria falar e escrevi tanto, e ficou tanto por dizer.Eu perdoo tudo, mas infelizmente não sofro de amnésia, por vezes gostava.
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| A minha mãe há 18 anos atrás, com o Artur ao colo (não podia colocar uma foto recente quero que todos a recordem assim, o Artur será o neto com melhores recordações dela) |
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| O meu pai com o Gabriel ao colo, há 5 anos atrás, quando reapareceu |
Beijinhos e até já