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Perdi o meu colo para sempre ..........

Agosto de 1972

Tenho saudades, tenho saudades á tantos anos que hoje é um misto de emoções. Quando há 2 dias recebi o telefonema a dizer que ela estava a sentir-se mal e que se calhar não valia a pena ir para o Hospital, fiz pressão para ir, para chamarem o INEM, e assim fizeram, ela foi e estava realmente mal, estava a oxigénio, a ser alimentada por uma sonda e pesava 32kg, alem disso o diagnóstico foi uma broncopneumonia bilateral, mas eu tinha esperança, era a 3ª vez que ela estava assim e de todas as vezes regressou, no segundo dia até estava melhor, tiraram a sonda e reduziram o oxigénio, nada me tinha preparado para aquele telefonema ás 10h da manhã do dia 20 de Julho, o médico a dizer que a minha mãe tinha partido, e eu fiquei sem chão, eu não quero ser órfã de mãe, eu quero ter mãe, eu queria a minha mãe, mas já restava tão pouco dela. O facto de ter acompanhado tudo, de ter estado sempre presente, fez com que a minha realidade fosse aquela, ir visitá-la, olhar para ela e apenas isso, mas para mim chegava e eu pensava que estava preparada, eu sei que ela estava a sofrer, ou não, segundo os médicos ela não sofria, ela estava totalmente vegetal, ela não estava a viver, apenas sobrevivia, agora descansa em paz, mas o meu egoísmo fazia com que eu a quisesse ali deitada á minha espera. Desejo que seja verdade que depois da morte todas as doenças se curam e ela possa ver a família que criei, conhecer a sua neta Mafalda que nunca a chegou a ver, ver como cresceu o seu neto/afilhado Artur, como a Magarida é igualzinha a ela, vaidosa e tudo como ela era, ver o Gabriel que grande e doce está. Desejo muito que seja verdade e ela agora possa ver-nos e olhar por nós.
No fundo tenho saudades, tantas, tantas........

Até já ...........

1 de Junho - Dia da Criança e não só ...


 Hoje a minha mãe faz 67 anos, há 7 que tem Alzheimer, ou que pelo menos sabemos disso, pois sintomas tinha vários á muitos anos, hoje em dia já não sabe quem é, quem eu sou, de onde veio nem para onde vai, está presa numa parte do seu passado, aquela parte em que foi mais feliz, na sua infância, está á espera da mãe e aflita que a mãe não chega. Já não tem momentos de lucidez há mais de 1 ano, continua a andar, andar, andar presa num qualquer dia da sua infância em que foi a uma procissão, anda e canta sem parar, um cantar baixinho de quem está na procissão. Hoje em dia sei quase todas as resposta para as perguntas que me atormentaram durante quase 40 anos, tive uma infância de sonho até aos 7 anos e depois um dia de Verão tudo mudou para sempre, tudo mudou e ela mudou, mudou para sempre, nunca mais foi a mesma desde aquele horrível dia, acho que nunca em tempo algum ela tinha equacionado aquela hipótese, aquilo que ela achava impossível aconteceu, e ele levou com ele tudo, levou a esperança, a felicidade, a alegria, o amor, o carinho, a vontade de viver deixando apenas para trás uma mulher ferida e 2 crianças que não tinham culpa, mas a todo o momento a lembravam que ele existia, estávamos ali as provas, e como tal ela nunca conseguiu avançar, nunca conseguiu abrir todas as janelas que se abririam depois de ela fechar totalmente a porta, nunca a fechou, nunca esqueceu e isso lamentavelmente levou-a á frieza, á insensibilidade, á dureza, á austeridade, á agressividade, á revolta e finalmente á loucura, sim essa loucura a que chamam demência que é mais forte do que tudo e que lhe trouxe a Alzheimer para lhe acalmar o coração, esqueceu tudo mas a agressividade ficou, essa não sai, não desiste, está entranhada. Hoje em dia é tarde demais para tudo, nada há a fazer a não ser perdoar tudo o que fez, hoje em dia sabendo e compreendendo o porquê é tão mais fácil, e tentar dar-lhe um fim de vida o mais digno e confortável possível. No fundo tudo o que sou agradeço a ela, á minha mãe, apesar de tudo acho que fez um bom trabalho, só lamento o facto de ela nunca me ter dado um abraço e um beijo quando ainda estava lúcida, de nunca ter dito que me amava e que eu era o orgulho dela.

" É na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais"
Coelho Neto

 "A coisa mais importante que um pai pode fazer pelos seus filhos é amar a mãe deles"
 Alex Gabriel Madrigal

 Beijinhos e até já ...

Adenda: Hoje reconheceu-me mal cheguei, por breves 30 segundos, mas reconheceu e disse o meu nome.

A casa dos avós





É aqui que está a minha avó Teresa, pertinho da nossa casa, assim podemos visitá-la sempre que temos um tempinho, a mamã vai lá todos os dias quando vem do trabalho, ver como está a avó e como passou o dia.
Foi dificil a adaptação, pior do que a minha á escolinha, muito pior mesmo, mas agora já está tudo bem, e a avó gosta muito de lá estar, a bem dizer ela não tem bem a ideia de onde está, mas está bem.
Hoje fomos lá visitá-la, a mamã fez um Bolo para levarmos para o lanche, ela queria pegar-me ao colo e eu só queria era correr mas lá me deixei apanhar por uns segundos



para a foto com a avó Teresa, ela ficou muito contente de nos ver e nós também de ela estar bem.

O nosso pópó é que continua internado na oficina em estado muito grave, sem previsões de quando ficará bom, parece que vai levar um motor novo, ou seja, ainda estão a ver o que será melhor pôr as peças que estão estragadas ou pôr um motor novo, o que vale é que está na garantia, senão lá se iam as prendas de Natal.

Quero mandar um grande beijinho ao meu amigo Tiago, porque foi um menino corajoso pois esteve engessado durante 65 dias e finalmente foi libertado.

Beijinhos e até já...

Visita á avó Teresa

Olá já estou a 100%, e no Domingo como já estava melhor fui visitar a minha vóvó Teresa que está numa Clinica de Psiquiatria Geriatrica, ela não se lembrava de mim, mas ficou muito feliz de me ver, sabemos que depois de me vir embora ela se ia esquecer mas foi bom na mesma, ela tem Alzheimer já num estado muito avançado. A mamã já arranjou vaga num lar ao pé da nossa casa e vai buscá-la no Domingo, depois podemos ir vê-la mais vezes, a mamã está feliz por ela estar mais perto, porque vai para um sitio muito bom mesmo e porque vai ser bem tratada, e porque ultrapassou todas as mágoas de uma infância dificil e dolorosa e deu mais um passo na sua caminhada para ser uma pessoa cada vez melhor.

Mas a ida a Lisboa teve as suas desgraças, ou seja, o nosso carro avariou na auto-estrada e tivemos de chamar o reboque e vir de taxi, e eu todo rabugento, foi terrivel, na oficina estão espantados um carro novo com uma avaria daquelas que ninguem nunca viu num carro daqueles, enfim. A mamã diz que para sermos felizes temos de ultrapassar os obstáculos com um sorriso e tirar algo de bom de cada um deles.

Beijinhos e até já...